01 A
02 B
03 E
04 C
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06 C
07 D
08 E
09 C
10 B
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Para os românticos, o mundo não é uma equação exata, sem margens de erro. A realidade é muito mais rica, oferecendo ao homem várias possibilidades que podem ser exploradas. Assim, múltiplos pontos de vista sobre o real podem coexistir, variando conforme a percepção de cada um. Neste sentido, o Romantismo foi revolucionário ao romper com as cadeias da educação tradicional, baseada somente no domínio da Razão, e o sujeito podia enfim elaborar sua própria interpretação do mundo exterior, o que apontava para os limites da visão racionalista.

  • Qual o trecho do parágrafo acima que nos remete ao conceito de polissemia?

“Múltiplos pontos de vista sobre o real podem coexistir, variando conforme a percepção de cada um”

 

  • Qual o trecho do parágrafo acima que nos remete ao conceito de subjetividade?

o sujeito podia enfim elaborar sua própria interpretação do mundo exterior, o que apontava para os limites da visão racionalista.

 

  • Todo processo comunicativo constitui-se do elemento básico que é a linguagem, a qual representa o sistema de sinais convencionais que nos permite realizar tal procedimento. O que é um signo linguístico e de quais partes ele é composto?

o signo linguístico é concebido como um elemento representativo, constituindo-se de dois aspectos básicos: o significante e o significado, os quais formam um todo indissolúvel.

 

Utilizando os signos linguísticos, os autores literários criam, a partir de sua subjetividade, uma linguagem particular, complexa e simbólica. Qual o procedimento literário que permite que ideias e associações extrapolem o significado original da palavra, assumindo assim um sentido simbólico? Dê ao menos dois exemplos de uso deste procedimento.

A linguagem sendo expressiva, representativa e simbólica, em função poética,  os signos transmitem mais de um significado. A conotação tem como finalidade provocar sentimentos no receptor da mensagem, através da expressividade e afetividade que transmite.

 

  1. Minha vida é um mar de solidão.
  2. Minhas lágrimas eram pedras pesadas sobre a face.

 

  • O artista não possui compromisso apenas com o objeto linguístico. A literatura tem um forte apelo estético, e por esse motivo quem escreve utilizando o discurso literário pode afastar-se dos padrões convencionais da língua. O que vem a ser estética e o que ela tem a ver com liberdade na criação?

 

Como o Romantismo trouxe o ideal de subjetividade à tona, o autor pôde começar a inventar novas maneiras de expressão.

Foi, portanto, preciso criar disciplinas que dessem conta de estudar e refletir sobre o que é beleza na arte

 

Texto 01

 

Re: Provérbio

 

quem nunca comeu farelos

aos porcos se misturando

que atire a primeira

pérola

 

Re: Provérbio de Ricardo Aleixo in Modelos Vivos. Crisálida, 2010.

 

Texto 02

 

O aluno

São meus todos os versos já cantados:
A flor, a rua, as músicas da infância,
O líquido momento e os azulados
Horizontes perdidos na distância.

Intacto me revejo nos mil lados
De um só poema. Nas lâminas da estância,
Circulam as memórias e a substância
De palavras, de gestos isolados.

São meus também os líricos sapatos
De Rimbaud, e no fundo dos meus atos
Canta a doçura triste de Bandeira.

Drummond me empresta sempre o seu bigode.
Com Neruda, meu pobre verso explode
E as borboletas dançam na algibeira.

 

O Aluno, de José Paulo Paes in Poesia Completa. Companhia das Letras, 2008

 

  • Ao ler os poemas acima (texto 01 e texto 02) podemos perceber um trabalho de intertextualidade. Responda qual (quais) poema(s) deixam essa intertextualidade explícita e faça o detalhamento sobre quais dentre as três formas de intertextualidade aparece (em) no(s) texto(s).

(no caderno)

 

Em algum dos dois textos houve processo de metalinguagem? Justifique detalhadamente com pelo menos três argumentos.

Houve metalinguagem no poema “Aluno” (texto 02). Observamos que o poema nos fala de um poeta (“São meus todos os versos”) que se coloca na posição de aluno (título do poema), aprendiz de grandes mestres (poetas citados). Como a metalinguagem literária é o processo onde a obra literária expõe elementos da própria literatura, ao falar de poetas, poemas e versos, temos metalinguagem.

 

 

 

 

Texto 03

 

O apanhador de desperdícios

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.
Memórias Inventadas – As Infâncias de Manoel de
Barros. Editora Planeta, 2008,

Ao ler o poema do Mato-Grossense Manoel de Barros, percebemos que a linguagem da poesia não é denotativa, pois não se relaciona, respectivamente, com o sentido literal das palavras e com a representação do mundo com foco no próprio mundo, mas, sim, na visão que o autor tem em relação a ele.

Quais os dois trechos do poema (texto 03) que remete à diferenciação entre a poesia e textos não literários de caráter objetivo e funcional?

(em negrito no próprio poema)

 

Ainda sobre o texto 03, como poderíamos relacionar o poema a uma característica metalinguística?

o trecho ”eu uso a palavra para compor meus silêncios” é algo que está no campo simbólico, pois as palavras serviriam aqui para a composição de algo poético e belo. Se relacionarmos este procedimento ao trabalho do poeta, que tem as palavras como ferramenta de produção, estaremos diante de uma metalinguaguem.

 

Em outro poema, o escritor Manoel de Barros cita:

 

“Para entender nós temos dois caminhos:

o da sensibilidade que é o entendimento do corpo;

e o da inteligência que é o entendimento do espírito.

Eu escrevo com o corpo.

Poesia não é para compreender, mas para incorporar.

Entender é parede; procure ser árvore.”

 

Qual o estilo literário que teve início nos movimentos de vanguarda modernistas tem relação com essa citação do poeta Manoel de Barros? Justifique.

O Surrealismo procurava mostrar a importância do inconsciente na criatividade do ser humano. Expressava a ausência da racionalidade humana e as manifestações do nosso subconsciente. Os surrealistas desejavam alcançar a total liberdade de expressão, onde o homem se libertaria de toda a repressão exercida pela razão. Dessa forma ele poderia explorar seu inconsciente e produzir arte para ser sentida, mobilizada pela da sinestesia e não pelo entendimento do intelecto.

 

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Questões sobre Manoel de Barros (documentário, poemas, vídeo)

01) Podemos perceber pelo documentário que a poesia de Manoel de Barros se difere da “poesia grandiosa” brasileira, como dito pelo crítico,em uma das entrevistas. Por que a poesia manoelina ocupa esse lugar?

02) Na primeira parte do vídeo, vimos um velho amigo do poeta. Qual a relação que podemos estabelecer entre os dois? No que essa relação contribuiu para a maneira de Manoel escrever?

03) Por diversas vezes vimos o poeta e críticos constatando que a poesia não tem utilidade, é um “instrumento de ser inútil”. Como podemos relacionar essa constatação com a época moderna e contemporânea da poesia?

04) Há uma intertextualidade entre a poesia de Manoel de Barros e outra linguagem artística. Qual é ela? Como aparece no documentário?

05) O poeta diz que só teve na vida infâncias. Qual a importância do olhar da infância para a poesia do poeta Manoel ?

06) Quais os versos que mais lhe chamaram a atenção? Por que?

07) Faça uma relação entre o vídeo de Charles Chaplin, os poemas de Manoel e o documentário.

08) Comente a metalinguagem no poema n.03.

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POEMA 01

Manoel de Barros – “Anti-salmo por um desherói”

 
a boca na pedra o levara a cacto
a praça o relvava de passarinhos cantando
ele tinha o dom da árvore
ele assumia o peixe em sua solidão

seu amor o levara a pedra
estava estropiado de árvore e sol
estropiado até a pedra
até o canto
estropiado no seu melhor azul
procurava-se na palavra rebotalho
por cima do lábio era só lenda
comia o ínfimo com farinha
o chão viçava no olho
cada pássaro governava sua árvore

Deus ordenara nele a borra
o rosto e os livros com erva
andorinhas enferrujadas

 

POEMA 02

Poema XIII de o Livro sobre Nada 

Venho de nobres que empobreceram.
Restou-me por fortuna a soberbia
Com esta doença de grandezas:
Hei de monumentar os insetos!
(Cristo monumentou a Humildade quando beijou os pés dos seus discípulos)
São Francisco monumentou as aves
Vieira, os peixes
Shakespeare, o Amor. A Dúvida, os tolos.
Charles Chaplin monumentou os vagabundos.
Com esta mania de grandeza:
Hei de monumentar as pobres coisas do chão mijadas de orvalho.

POEMA 03

Poema VII de O Livro das Ignorãnças

No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo,
lá onde a criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta,
que é a voz de fazer nascimentos – O verbo tem que pegar delírio.

 

Poema 04

Aprendo com abelhas

Aprendo com abelhas do que com aeroplanos.
É um olhar para baixo que eu nasci tendo.
É um olhar para o ser menor, para o
insignificante que eu me criei tendo.
O ser que na sociedade é chutado como uma
barata – cresce de importância para o meu olho.
Ainda não aprendi por que herdei esse olhar
para baixo.
Sempre imagino que venha de ancestralidades
machucadas.
Fui criado no mato e aprendi a gostar das
coisinhas do chão –
Antes que das coisas celestiais.
Pessoas pertencidas de abandono me comovem:
tanto quanto as soberbas coisas ínfimas.

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volta-as-aulas

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