• Linver Nazareno dedica esta “décima” às mulheres que habitam o manguezal, em uma homenagem ao trabalho que enfrenta, todos os dias.

Mulher do manguezal
Linver Nazareno

Lenha e mangue são teu carvão
A concha vai te esperar
O remo é o teu timão
Teu grande amigo é o manguezal

No fogão a lenha cozinhas
Os filhos, são tua diversão
Os montes são teu remédio
A sombra, tua proteção

Um bom peixe é tua comida
O coentro, teu tempero
Mangue, barreira de vida
Protegê-lo é tua razão

Para apurar a comida
Lenha e mangue teu carvão
Pele curtida de esperança
E de tanto madrugar

Tua mente te dá a força
No lodo vais andar
O fumo é tua paixão
Fumaça pro mosquito espantar

O vento é tua grande canção
O tapao [1] é teu manjar
Pra te dar alimentação
A concha vai te esperar

Esquentas a citronella
Antes do café da manhã
Teu viver é tão simples
Duro sabes trabalhar

O sol é teu fiel horário
As ondas, teu coração
A lua é teu calendário
Teu gás, um saco de carvão

Para chegar ao estuário
O remo é o teu timão
Casca largando fumaça
Os mosquitos é preciso espantar

Do coco tiraste o suco
A tonga [2] é preciso preparar
Minha arvorezinha de mangue
Muitas comida me deste

Mil batalhas já travei
Quando vou à labuta
A vida me presenteou
Meu grande amigo, o mangue.

(1) Prato típico da província de Esmeraldas, preparado com peixe, banana verde e coentro.

(2) Merenda ou prato que se leva quando se trabalha longe de casa, típico de Manabí: arroz, peixe ou carne envolvidos em folhas de uma palmeira pequena chamada bijao. As mulheres costumam preparar a comida de manhã para comer mais tarde, na metade da jornada de trabalho.

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26 de julho: Dia Internacional para a Defesa do Ecossistema de Mangue

No dia 26 de julho comemora-se o Dia Mundial de Proteção aos Manguezais. Ecossistemas de transição entre ambientes terrestre e aquático, os manguezais são característicos de regiões tropicais e subtropicais e estão sujeitos ao regime de marés. No Brasil, ocorrem de Santa Catarina ao Amapá. No estado de São Paulo, se distribuem por todo o litoral, sendo a maior extensão no Litoral Sul e Baixada Santista.

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Borboleta da restinga

borboleta da praia ou borboleta da restinga possui 10 cm de envergadura de asa, suas asas são pretas com faixas brancas, com pares de asas inferiores acrescentando vermelho e rosa em alguns indivíduos. Atualmente, a espécie é muito encontrada na região da praia de Atafona, município de Campos, Rio de Janeiro.

É endêmica em áreas de restingas do litoral norte fluminense. Na fase de lagarta alimenta-se da planta “jarrinha” vegetal da espécie “Aristolochia macroura”. A espécie sofre processo de extinção em virtude da especulação imobiliária.

As restingas onde vivem são ecossistemas arenosos e pulodosos, a construção de edificações diminui a propensão da planta “jarrinha”, e a lagarta que é monófaga, come apenas um tipo de alimento, fica sem fonte de alimentação. A formação de áreas de proteção ambiental é uma forma de mitigar o ritmo de extinção e proteger o ecossistema da espécie.

Na fase adulta, a espécie desenvolve uma defesa por ser implacável, ou seja, ao ser ingerida causa a morte do predador.

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MARIA-FARINHA 

maria-farinha é um caranguejo. É encontrado na costa leste dos Estados Unidos e no litoral do Brasil, vivendo em buracos acima da linha da maré alta em praias arenosas. Trata-se de um animal detritívoro.

Também é conhecido pelos nomes de aguarauçá, cabeleireiro, siri-fantasma, espia-maré, grauçá, guaruçá, guriçá, cerca-maré, vaza-maré, maruim e sarará.

Maria-farinha, no litoral norte da região nordeste do Brasil em localidades como Aratú, trata-se, também, de um pequeno caranguejo de cor vermelha que sobe nos galhos dos manguezais para fugir da enchente da maré ou para procurar alimento.

O número de tocas do maria-farinha é um bioindicador e pode representar uma ferramenta para a análise de impactos ambientais.

O caranguejo tem hábitos noturnos e se alimenta principalmente de bivalves, traíras e detritos orgânicos.

Ariscos e ágeis, são frequentemente vistos correndo rapidamente “de lado” nas praias. Usa oito de suas dez patas para se locomover. As duas pinças da frente são utilizadas para pegar comida, cavar e se defender.

Visualmente, o caranguejo tem coloração em tons de areia, o que por si só colabora para a sua camuflagem e, consequentemente, para se livrar dos predadores. Aliás, muitas pessoas o confundem com siri.

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O MANGUE

Beleza que surpreende o imaginário,
Frondosas árvores, a tudo sombreando,
Folhas que caem, seguindo o seu fadário
Bandos de pássaros, aninhando e gorjeando.

Sobre um tapete, macio, escurecido,
Aonde o sol chega brando e sereno,
Caminham os crustáceos, em merecido
Passeio, pelo ensoberbecido terreno.

A natureza, criadora e esplendorosa,
Surpreendentemente primorosa
Improvisa a pluralização da existência.
Translada para o mangue o berço
Proporcionando a vida todo apreço
Suplantando a criação e a magnificência.

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O Brasil apresenta uma impressionante diversidade ambiental, oferecendo ao mundo recursos naturais únicos no planeta como a Floresta Amazônica, o Pantanal do Mato Grosso, além de uma das maiores áreas de manguezais do planeta, de reconhecida importância na preservação do meio ambiente por ser considerado o berçário de diversas espécies animais.

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Manguezal: Turismo e Sustentabilidade

Conceituando o Ecoturismo, ele pode ser entendido como sendo um “segmento da atividade turística que utiliza de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem estar das populações envolvidas” (Barros, 1994). Ou de acordo com o Instituto do Ecoturismo do Brasil, IEB, o Ecoturismo pode-se ser compreendido como sendo “…a prática do turismo recreativo, esportivo ou educativo, que se utiliza de forma sustentável dos patrimônios natural e cultural, incentiva a conservação, promove a formação de consciência ambientalista e garante o bem estar das populações envolvidas”

Assim, o desenvolvimento de atividades turísticas em manguezais pode agregar benefícios para as comunidades do entorno e economia local, proporcionando um incremento na renda das populações que são na maioria das vezes desprovidas de necessidades básicas. Essas carências ocasionadas através da omissão do poder público, na maioria das vezes, diante das necessidades de uma população carente de infra-estrutura urbana apresentável. Com esses fatores, o turismo acaba sendo relacionado com as necessidades fundamentais do ser humano (Molina, 1998).

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A relação mangue e sociedade

As áreas de mangue são de expressiva importância para a comunidade vista a sua capacidade de gerar sócios-empreendimentos, benefícios econômicos e sustentabilidade ambiental. Porém, essas áreas vêm sendo minadas pelo avanço da exploração na região, com a derrubada das matas ciliares para o seu exercício, pondo em risco além da biodiversidade ali existente a sustentabilidade urbana.

Os manguezais fornecem uma fonte rica de alimentação proteica para a população litorânea brasileira: a pesca artesanal de peixes, camarões, caranguejos, moluscos e outros frutos do mar são para os moradores da zona litorânea a principal fonte de subsistência – levando-se como referência as comunidades de pescadores e as cooperativas não formalizadas propostas e compostas por esses indivíduos.

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LOCALIZAÇÃO:

Localizam-se na faixa litorânea do Brasil, desde o Amapá até Rio Grande do Sul.

Diferença entre Mangue e Manguezal

O termo manguezal é utilizado para descrever uma variedade de comunidades
costeiras tropicais dominadas por espécies vegetais, arbóreas ou arbustivas que
conseguem crescer em solos com alto teor de sal.
O termo mangue origina-se do vocábulo Malaio, “manggimanggi” e do inglês
mangrove, servindo para descrever as espécies vegetais que vivem no manguezal.

Curiosidade sobre as Restingas

Para quem não sabe, a restinga é constituída por uma vegetação rasteira,
basicamente capinzinhos e arbustos de pequeno porte com folhas arredondadas,
que nascem sobre as dunas, contribuindo diretamente para sua fixação. Em meio a
essa vegetação, o junco nasce espontaneamente. Vale lembrar que os pinheiros
(ciprestes) que aparecem plantados ao longo de toda a área de dunas na Praia do
Rincão não são nativos da restinga, mas acabam cumprindo a função de auxiliar,
também, na fixação das dunas.

Fonte: http://gratulinoemeioambiente.blogspot.com.br/2012/04/manguezais-e-restingas.html?m=1

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Escrito em 1966 e com uma única edição no Brasil, lançada em 1967, HOMENS E CARANGUEJOS é o único romance do renomado cientista Josué de Castro. Num texto tocante – de tom memorialístico e autobiográfico -, ele narra a história de vida de um menino pobre que começa a descobrir o mundo e logo se depara com a miséria e a lama do mangue.

Mais que um drama ficcional, este livro mostra a realidade de uma comunidade imprensada entre a estrutura agrária feudal e estrutura capitalista – um cenário que até hoje persiste no Nordeste do Brasi..

As brincadeiras de infância são trocadas pelo duro trabalho nos manguezais, nos quais os meninos se tornam caranguejos, num estranho mimetismo que o autor já aponta no prefácio: “Seres humanos que se faziam assim irmãos de leite dos caranguejos. Que aprendiam a engatinhar e andar com caranguejos da lama e que depois de terem bebido na infância este leite de lama, de se terem enlambuzado com o caldo grosso da lama dos mangues e de se terem impregnado do seu cheiro de terra podre e de maresia, nunca mais se podiam libertar desta crosta de lama que os tornava tão parecidos com os caranguejos, seus irmãos, com as duras carapaças também enlambuzadas de lama.”

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